quinta-feira, 30 de julho de 2015

Cirurgia

Acho que essa está sendo a postagem mais difícil de escrever. Eu já escrevi aqui sobre muita coisa ruim que passei, muitas lutas e provações. Mas quando escrevi, foi depois de muito tempo e quando já tinha passado por tudo e o final feliz já tinha acontecido.

Mas dessa vez, eu ainda não sei como vai ser o final. E embora eu tenha muita fé, eu sou humana, também tenho medo e preocupações.

Há 11 meses atrás, eu estava em casa trocando a fralda do meu filho; ele deitado na cama e eu em pé curvada e eu senti uma dor muito forte bem no meio da minha coluna e quase não consegui mais ficar em pé. No dia seguinte tomei banho, e quando me abaixei para secar meus pés, senti uma dor horrível e não consegui mais ficar em pé. Chamei Everton e ele me levou pro hospital. Após o raio-x, falaram que um disco tinha deslocado. Me mandaram pra fisioterapia. Fiz algumas sessões de fisioterapia, mas comecei a ficar pior, antes a dor era apenas no meio das costas, e após a fisio, começou a doer o pescoço. Mais sessões e começou a doer meu braço direito, dormências, e comecei a deixar cair as coisas da mão. Para fazer comida, bolos e sobremesas que eu sempre fiz, eu não conseguia mais, pois perdia a força no braço e mão, e muita vezes deixava a colher cair.

Acho que vocês já devem ter visto minhas postagens no face reclamando de dor no braço, de não poder digitar, etc, né?

Vou resumir pra vocês: Fui pro hospital naquele dia, me encaminharam pra GP, que me encaminhou pra fisioterapia, onde piorei. Mandaram ir pro chiropractor (quiroprata), depois fisio no braço. Raio-x no pescoço. Tentaram também aculpuntura. Botei tala no braço, fitas no braço e nas costas. Mandaram pro ortopedista em Alexandra, que me mandou pra Invercagill fazer ressonância magnética. Após o resultado o ortopedista me encaminhou pra um especialista em coluna cervical de Dunedin. 

RESULTADO: Nas costas tenho uma fusão congênita, que ele não me explicou direito o que é isso, pois disse que o mais importante seria tratar o pescoço primeiro. No pescoço tem um disco em colapso que está pressionando a minha medula espinhal e o nervo e isso atinge o braço.

Resumindo mais ainda: Após 11 meses, a única solução é passar por uma cirurgia no pescoço :(

O nome do procedimento é posterior cervical foraminotomy (Foraminotomia cervical).

Eu vi um vídeo no youtube que mostra a cirurgia e fiquei muita desanimada :(

Um pedaço do osso vai ser cortado, e a parte do disco em colapso também. Vão colocar aparelhos nos meus pés e pernas para estimular a circulação, para evitar embolia pulmonar. E também um tubo na minha boca, e esse tubo pode danificar as cordas vocais. Conversei com um cara aqui de Queenstown que fez essa cirurgia, e ele ficou rouco.

Após dois dias da cirurgia, já tenho que tentar andar, também pra evitar a embolia pulmonar. Terei que usar um colar cervical por 6 semanas. E após 3 meses da cirurgia estarei 100% novamente :)

Mas eu preciso ficar bem, me encorajar, porque não tem mais nada pra tentar, além da cirurgia. Eu não posso viver da maneira que estou, todos os dias com dores, sem força no braço, sem conseguir segurar as coisas direito. Quase 1 ano sem pegar meu filho no colo direito (quando teimo em fazer isso morro de dor).

Já preenchi e assinei toda a papelada da cirurgia, e já enviei de volta pra Dunedin. Semana que vem farei os exames que antecedem a cirurgia.

A cirurgia está marcada para o dia 18 de agosto.

Fiz essa postagem aqui, porque eu sempre conto sobre a minha vida no blog, e também para pedir que vocês intercedam por mim em oração.


Confessai as vossas culpas uns aos outros, e  orai uns pelos outros, para que sareis. A oração feita por um justo pode muito em seus efeitos. Tiago 5.16

E eu venho humildemente pedir a oração de vocês. Orem pra que eu não desanime, não tenha medo, continue com fé, pois preciso ir em frente para mais essa missão, e chegar no final feliz :)

Obrigada desde já por todo carinho de vocês. Que Deus abençõe abundantemente a vida de vocês todos os dias.

Daqui pra frente vou postar notícias sobre a cirurgia na minha página no facebook (https://www.facebook.com/luanakarinakay) vou pedir pro meu marido postar notícias quando eu entrar na sala de cirurgia, quando sair e tudo mais até que eu mesma possa mandar notícias :)


Beijos,

Luana Karina







terça-feira, 28 de julho de 2015

De motorhome pela Ilha Sul - Nova Zelândia

Clique nas palavras em 
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aos links e ver as fotos.


Bom gente, eu aluguei o motorhome 4 meses antes da viagem, e por isso tive um bom desconto. Preferi um mauí, por ser o modelo mais novo, e o único a ter aquecimento 24 horas. Infelizmente, apenas em Queenstown, eles cobram uma taxa extra, por se tratar de uma localização remota, que eles precisam pagar um motorista para trazer os motorhomes pra cá. Mas mesmo eu pegando e devolvendo em Queenstown, essa taxa foi cobrada. 





Eu comecei o planejamento de toda viagem mais ou menos um mês antes, pesquisei muito na internet, comprei um mapa grande de papel, fiz todas as anotações e planejamentos, e baixei o app da Mauí. Mas mesmo assim, não saiu tudo conforme o planejado. 

Os bookings dos campings, eu fiz apenas para os dois primeiros dias, pois consultei online e vi que tinham poucas vagas aqui na área de Fox Glacier e Westport. E não quisemos ficar em campings não pagos, pois não achamos seguro, eram no meio do mato, sem iluminação. Mas em cidades como Nelson por exemplo, tem locais iluminados e mais seguros, que se pode ficar de graça overnight, como por exemplo o New World Supermarket.

Conheça todo o motorhome por dentro clicando aqui.


Primeiro dia

Queenstown para Fox Glacier

Estava marcado para pegarmos o motorhome as 8am, e dai planejei sairmos de Queenstown as 9am. Mas já de início não foi assim. Chegamos para pegar o motorhome as 8:30, e tem um monte de papéis para assinar, eles mostram todo o motorhome por dentro e o funcionamento. Voltamos para casa por volta das 10:00, e começamos a carregar nossas coisas para dentro do motorhome. Não lembro que horas eram quando saimos de casa e fomos até o Mc Café comer alguma coisa, só sei que saímos de Queenstown as 12:15, rumo a Wanaka.

Wanaka - os planos pra Wanaka eram ir no Puzzling World e no Museu de Brinquedos e Transporte. Mas acabamos indo apenas no puzzling.

Seguimos até o Lake Hawea, e fizemos lá um BBQ.



Lake Hawea


Após o bbq, quando fui lavar a louça, descobrimos que estávamos sem água. Ligamos para a assistência 24 horas e eles nos deram indicações para tentar arrumar, mas não resolveu. Então ele nos pediu para irmos até o camping e lá colocar mais água no container e ver se funcionava.

Eu liguei para o camping e avisei que iriamos chegar tarde, quando a recepção já estivesse fechada, e então ele disse que deixaria uma carta para mim na porta da frente.

Gente pra início de conversa, as coisas não sairam como o planejado, porque o motorhome não anda na mesma velocidade de um carro, óbvio que eu já imaginava isso, mas eu achei que a diferença fosse muito pouca, mas não é; pelo menos não foi. Demoramos muito no trajeto de Lake Hawea até Fox Glacier. Trechos totalmente escorregadios, com muita montanha pra subir e descer. A noite, muito escuro. Sem sinal nenhum de celular. Aliás, eu não sabia que tinha tanta parte na NZ, sem sinal de celular, fiquei surpresa com isso. Algumas áreas o meu que é da Spark tinha sinal, mas o do Everton não, que é Vodafone. Em outras áreas era o contrário, e em algumas, nem um dos dois, totalmente sem sinal mesmo.

Chegamos ao camping quase 9pm. Ficamos no Fox Glacier top 10 Holiday Park. Amamos o camping, foi o melhor da viagem inteira, tudo muito limpinho e organizado. Banheiro quentinho, tem até piso aquecido. Eu super recomendo esse camping. Para ver as fotos do camping, clique aqui.

Como o planejamento estava todo atrasado, tivemos que passar direto pela Blue Pools e Fantail Falls, pois já era noite. No inverno as 5 da tarde já é escuro.


Segundo dia

Fox Glacier para Westport

Ligamos para a assistência novamente para informar que mesmo colocando mais água a bomba não funcionou, então ele nos mandou ir num mecânico ali em Fox Glacier mesmo. Ficamos um tempão no mecânico e ele arrumou a bomba e voltamos a ter água.

Passamos rapidamente por Franz Josef, e paramos no Whataroa River, para fazer um bbq para o almoço.


Whataroa River



Paramos no Lake Ianthe para conhecer e tirar umas fotos.


Lake Ianthe


Passamos a noite pela praia das panquecas (Punakaiki) e não conseguimos ver nada. 

Seguimos para Westport, onde passamos no mercado e fomos para o camping. Westport Holiday Park + Motels (não gostei muito desse camping).


Terceiro dia

Westport para Blenheim

Gente planejamos sair cedo e ir pro Blue Lake (o lago de águas mais cristalinas do mundo) e colocamos no GPS. Estranhamos um pouco o caminho, mas seguimos. Gente do céu, fomos parar no meio do nada, estrada de chão, sem sinal de celular, totalmente perdidos, e estávamos com combustível para uns 35km. E não achamos lago nenhum. Colocamos no GPS para ir pro próximo posto de gasolina. Chegamos lá e abastecemos.

Paramos num restaurante para almoçar, e conversando com um cara lá, ele nos disse que o Blue Lake a gente vai até lá onde fomos e depois são dois dias caminhando para chegar no lago. Explicado! Fomos ao local certo, só faltaram os dois dias de caminhada, hehehe. Eu não tinha lido sobre isso nas minhas pesquisas, porque o google me mostrou outro lago como sendo o Blue Lake, mostrou o Rotoiti, que também fica em Nelson Lakes National Park.

Então após o almoço seguimos viagem para o Lake Rotoiti, que já conhecíamos, e por causa do google achávamos que era o Blue Lake.

Ficamos um tempo lá, mas tava muito frio, tudo nublado. Liguei pra um camping em Blenheim e fiz o booking. Partimos então pra Blenheim. Ficamos no Blenheim top 10 Holiday Park.

Gente que emoção chegar em Blenheim :)
Onde tudo começou, onde começou a nossa história na Nova Zelândia. Fizemos o check-in no camping e fomos passear pela cidade. Passamos pela casa onde moramos, pela estação de ônibus onde chegamos, mercados, lojas, padaria, etc. Ficamos relembrando tudo. Lembramos do dia que estávamos esperando o pagamento entrar para podermos comer no McDonalds e o pagamento não entrou :( Entramos na the warehouse, no mercado, tudo uma emoção :)


Estação de ônibus em Blenheim


Fizemos um bbq para encerrar a noite.


Quarto dia

Picton para Kaikoura

Acordamos e fomos pra Picton. Passamos o dia todo lá. Tomamos café, almoçamos, fomos no aquário, Ecoworld Aquarium, exploramos bem a cidade, que é muito linda.


Picton


Picton


 O mini golf que fomos em 2009 estava fechado. 

Na volta pra Blenheim, fomos na Rarangi Beach e Monkey Bay. Tem um ponto na Monkey Bay, que dá pra ver a Ilha Norte a olho nú, se o dia não estiver nublado.


Rarangi Beach


Monkey Bay

Clique nos links (em rosa) da Rarangi Beach e Monkey Bay para ver mais fotos.

Dessa vez não deu para ir na Whites Bay, que fomos em 2009. Mas eu fiz o link sobre 2009 para que vocês possam também conhecer, porque é uma baía linda e vale a pena ir lá. Basta clicar no whites bay em rosa.

Voltamos para Blenheim, fomos na the warehouse novamente, tomamos um café e então decidimos partir para Kaikoura e já acordar lá.

Fizemos salmon assado para janta, uma delícia :)

O camping era muito legal também, tinha até sala de jogos com mesa de sinuca e ping-pong. Era também um top 10.


Quinto dia

Kaikoura para Christchurch


Tomamos nosso cafezinho e fomos pra Seal Colony ver os leões-marinhos. Foi uma das melhores partes da viagem inteira. Gente é demais lá, é lindo, ver os leões-marinhos é magnífico. É linda a colônia.




Seguimos viagem para Christchurch e no meio do caminho paramos para almoçar, tarde já, por volta de 2 da tarde. Não sei dizer o nome da área de recreação que paramos. É incrível como é difícil ter sinal de celular viajando, o sinal volta mesmo quando se chega nas cidades.

Chegamos ao camping super cedo, fizemos o check-in e fomos pro shopping, K-mart e etc.


Sexto dia

Christchurch para Lake Tekapo

Pela manhã fomos pro Orana Wildlife Park, já tínhamos estado lá duas outras vezes, uma vez em 2010 sozinhos, outra em 2013 com Davi e agora nessa viagem.

Em 2010, nós fomos também no Antarctic Centre.

A tarde passeamos por Christchurch e por algumas lojas.

A noite seguimos para o Lake Tekapo, para passar a noite lá. Ficamos num lugar gratuito. Chovia e ventava muito, tivemos que mudar a posição do motorhome porque parecia que o vento ia derrubá-lo. Chegamos tarde e fomos dormir.

Sétimo dia

Lake Tekapo para Queenstown

Exploramos um pouco o Lake Tekapo, batemos fotos, e seguimos viagem rumo a Queenstown.


Lake Tekapo


Paramos na fazenda de salmon, e em Lindis Pass.


Lindis Pass


Lindis Pass


Lindis Pass


Chegamos em Queenstown, e descarregamos todo o motorhome, para entregá-lo até as 3pm.


P.S.: No dia seguinte pela manhã, nos ligaram da agência informando que tínhamos esquecido um dvd. Passamos lá pra pegar, e somente 2 dias depois me dei conta que esqueci as coisas que estavam dentro dessa gaveta (foto abaixo). (Meu manuka mel super caro, um milo gigante, 1 vidro de azeite de oliva, sal e bananas)  Entao fui até lá pra ver se conseguia recuperar e disseram que nao era possível, que quando se esquece alguma coisa assim, tem que ligar na hora, no mesmo dia, senão eles colocam no lixo. Então eu perguntei: e quando me ligaram informando que eu tinha esquecido o dvd, porque não falaram dessas coisas também? Ela disse: não sei! =/////




Gostamos muito da viagem, mas aconselhamos a quem quer fazer o mesmo trajeto, ou viajar pela ilha sul de motorhome, a fazer isso com mais de 7 dias. 

Qualquer pergunta, deixem nos comentários :)







sábado, 18 de julho de 2015

Pré-câncer



No início de 2013, eu comecei a me sentir doente. Me sentir fraca, cansada, atribuindo tudo isso a maternidade, ao fato do meu filho mamar pra caramba. 

Basicamente, às vezes alguns tipos de comida me faziam mal, e eu ficava tonta, enjoada, vomitava, tinha diarréia. 

O tempo foi passando e os sintomas aumentando. Às vezes eu passava muito mal, e tinha que ser levada pro hospital, super fraca. Pra resumir e começar a contar o desenrolar da história: Durante longos 8 meses eu passei mal e fui pro hospital várias vezes. Uma semana sim, e outra não; ou toda semana, ou 2x por semana, com muita frequência, e sempre os médicos diziam que era virose. 

Um dia daqueles que eu tava me sentindo mal, dei boa noite pro meu marido, meu filho já estava dormindo e fui dormir. Acordei tremendo de frio. Everton colocou mais 2 cobertores em cima de mim, mas eu não parava de tremer. Ele deitou e me abraçou e eu tremia mais ainda. Ele mandou eu tirar a roupa e ir pro banho quente. Mas eu não parava de tremer. E ele começou a me olhar com cara de assustado. Davi acordou. 

Com Davi no colo Everton estava muito nervoso, e me disse que ia ligar pra ambulância, e eu disse: amor, eu só estou com frio, muito frio. Ele dizia meu Deus, meu Deus. Foi então que encolhida no chuveiro, eu olhei pros meus pés e pras minhas mãos e estavam completamente roxos, e o roxo ia subindo muito rápido, virei pro espelho, meu rosto tava branco azulado, lábios roxos, e eu comecei a me apavorar também, e pedi pra ele ligar imediatamente pra ambulância. Eu achei que eu iria morrer. Nisso eu comecei a vomitar muito.

No hospital, eles me medicando e eu ainda tremia muito. Eu estava com uma febre altíssima. Tive que passar a noite em observação na emergência, e achei melhor Everton ir pra casa com Davi.

No outro dia, depois que a febre passou, me mandaram embora. Perguntei o que havia acontecido, e mais uma vez o diagnóstico foi virose. E eu pensei: nossa, não sabia que as pessoas podiam morrer de virose, pois eu quase morri.

E o tempo foi passando e os sintomas piorando. Às vezes era tanta dor, que me davam morfina, e ainda assim continuavam afirmando o diagnóstico de virose.

Até que um dia, numa das minhas idas ao hospital, uma médica sentou ao meu lado e começou a conversar comigo e realmente me deu atenção. E ela mandou fazer exames, de sangue, urina e fezes. E disse pra ir na GP (general practitioner, seria como um clínico geral) na semana seguinte para pegar o resultado.

Após uma semana, fui na GP e ela disse que os meus exames tinham sido enviados para Christchurch, para confirmar os resultados, e que ela me ligaria quando tivesse o resultado. Achei estranho, mas esperei.

Ela me chamou então, e disse que tinham encontrado muito sangue nas minhas fezes e também calprotectina muito elevada. E que eu teria que fazer mais exames, exames mais completos para descartar e confirmar diagnósticos.

Repeti todos os exames, e fui também até Clyde, no Dunstan Hospital, fazer um CT Scan.

Me encaminharam para uma gastro de Invercagill, que veio atender aqui no hospital de Queenstown. Ela me explicou que várias doenças relacionadas ao intestino já tinham sido descartadas, com todos os exames que eu tinha feito, e que tinham sobrado apenas duas: doença de crohn e câncer.

Eu fiquei sentada, paralisada, sem acreditar no que eu estava ouvindo. Mil coisas passaram na minha cabeça, e eu quis muito ter acreditado em todos aqueles médicos que deram o diagnóstico de virose.

Ela me disse que eu teria que fazer mais exames e também uma colonoscopia. Da sala que estávamos mesmo, ela ligou pro setor do hospital responsável pela colonoscopia. E por incrível que pareça, eu acredito que eles se recusaram a me atender aqui porque eu era estrangeira. Digo isso baseada na fala da gastro ao telefone, como: "Mas ela já está aqui há 4 anos e meio", "Mas isso é ridículo, ela nao é neozelandesa, mas paga impostos", e finalizou dizendo: It's a shame! Então me disse que não tinha vaga pra fazer aqui em Queenstown mesmo, e que eu teria que fazer em Invercagill, e ela mesma marcaria pra mim.

Eu contei tudo ao meu marido e ele me disse que já estava desconfiado, por tudo que ele pesquisou na internet, mas não queria me assustar e me deixar mais nervosa. 

A partir dai tudo começou a ficar muito estranho, eu tentava ser forte pra meu marido e meu filho, mas eu estava morrendo de medo. Meu marido tentava ser forte pra mim, mas estava assustado.

Comecei a dieta para fazer a colonoscopia: primeiro dia, coisas leves e líquidos; segundo dia, apenas líquidos; e o terceiro dia nem água :(

Fomos um dia antes para Invercagill, para dormir lá e já acordar lá pro exame. Pois eu já estava fraca e doente, e a dieta me deixou pior ainda. Sem contar que na noite anterior, tem que tomar 2 litros de laxante.

Fiz a colonoscopia, e depois que acordei da anestesia, a médica disse que encontrou múltiplos pólipos no meu intestino, mas nada muito grande. Nós ficamos muito animados e felizes com isso. Ela disse que mandaria tudo para biópsia, e me chamariam para pegar o resultado.

Eu não me lembro com prescisão, mas acho que após 8 dias saiu o resultado. Me ligaram de Invercagill, me dizendo que eu precisava ir ver a minha GP urgente. Fiquei super nervosa de novo, liguei pro Everton vir pra casa ficar com o Davi e fui lá.

Chegando lá, ela com todo jeito, me disse que o resultado da biópsia deu que eram adenomas com alto grau de displasia. Eu perguntei o que era isso, e ela me explicou detalhadamente e chamou isso de pré-câncer. Me explicou que é um passo antes do câncer maligno, que os adenomas com alto grau de displasia sempre viram câncer maligno. E como não sabíamos há quanto tempo eles estavam no meu intestino, teríamos que fazer mais exames e outra colonoscopia urgente.


Eu controlei as lágrimas ao máximo, até chegar no meu carro. Então eu desabei, chorei um monte. Passa um filme dentro da cabeça da gente. Meu filho, meu marido... Eu não estava preparada para deixá-los!


Ainda que não fosse câncer ainda, eu não esperava um pré-câncer também. 


Parei de chorar e comecei a dirigir pra casa, mas as lágrimas continuavam caindo e nublando meus olhos.


Cheguei em casa, abracei o Everton e chorei muito.


Resumindo: era doença de crohn e também os adenomas com alto grau de displasia.


Esqueci de mencionar anteriormente, que eu estava o tempo todo em contato com o meu médico no Brasil. E ele estava sempre me acalmando e me animando. Mas quando eu liguei pra ele para contar o resultado, ele me disse: sim, agora é sério! :(


Além de você saber o que tem, você ainda tem que aturar os sintomas. Passei a tomar remédios fortíssimos, eram 7 por dia. Tinham efeitos colaterais também. Um deles eu li que poderiam cair os cabelos. 


Eu fiquei uma semana muito pra baixo e desanimada. Everton ficava forte pra mim em casa, mas fiquei sabendo que ele não estava conseguindo trabalhar direito. A pressão é muito grande.


Após uma semana, eu disse: Deus, eu não passei tudo que passei, pra chegar até aqui e ser vencida por uma doença. Ainda não virou câncer, mas mesmo que fosse, pra você não é nada! Deus, têm promessas que você me fez que ainda não se cumpriram, então eu não vou morrer enquanto o Senhor não cumprir. Eu sei disso, é nisso que eu acredito.


Então eu passei a orar com mais confiança, pois já tinha passado o momento do choque, do abalo.


O tempo foi passando e eu indo em Invercagill, médicos, exames. Fui ver um cirurgião em Invercagill e sai de lá super desanimada. Ele desenhou meu intestino num papel e com a caneta foi fazendo riscos e dizendo: vamos cortar aqui, e aqui, e aqui também, e mais aqui; dai o que sobrar eu emendo tudo! Parecia que tava falando de uma roupa, mas era do meu intestino.


Um dia eu tive uma dor terrível, insuportável, e eu pedi para um flatmate olhar meu filho pra mim e pro outro ligar pro Everton.


O Everton chegou em casa super rápido, eu tava caída no chão do banheiro, com uma dor insuportável, eu não estava mais aguentando. Eu lembro que eu disse a ele: amor, por favor, cria nosso filho nos caminhos do Senhor, não deixe ele se desviar por favor. Eu vou morrer, eu não aguento mais.


Doença de chron e pré-câncer juntos... estavam literalmente me matando.


Fui pro hospital, fiquei lá a base de morfina, e sobrevivi.



Uma noite eu tive um sonho: sonhei que eu estava num local grande tipo um salão, com muitas pessoas lá dentro. De repente todas as pessoas começaram a gritar e correr. Quando eu percebi, um leão tinha entrado lá. Eu fiquei sem reação, não sabia pra onde correr. Então me deitei numa fileira de cadeiras. E o leão foi vindo devagar na minha direção. Ele chegou bem perto de mim, e eu tava respirando muito ofegante, completamente assustada. Então, uma sombra em forma humana, branca, não dava para ver rosto, pegou na minha mão e com voz de mulher, disse: Não tenha medo!


Então o leão deu 3 mordidas na minha barriga. Mas não me cortou, não saía sangue. Após as mordidas, o leão sorriu pra mim, e foi embora. 


Eu acordei bem assustada. Contei ao Everton, e ele disse: amor, Jesus é o leão da tribo de Judá. Eu acho que Deus te curou. Eu disse: sim, Deus me curou! E tomei posse disso. 


Os dias foram passando e nossa ida ao Brasil já estava programada. Várias pessoas estavam orando por mim, família, amigos e irmãos na fé.


Um dia minha irmã me chamou e me disse que um irmão na igreja dela, onde estavam orando por mim, chegou pra ela e disse: Deus já curou a sua irmã e os médicos nem vão entender como.


No meio disso tudo, fizemos a nossa aplicação para a residência neozelândesa, fizemos antes de saber o que eu realmente tinha, quando achava que era apenas virose.


Chegou o dia de embarcarmos pro Brasil, isso em novembro. Eu já tinha marcado consulta com um especialista lá. Fui na consulta, e ele me encaminhou para um proctologista especialista em displasia, e ele marcou uma nova colonoscopia. Me explicou que nessa colonoscopia iria colocar uma tinta azul no meu intestino, e não me lembro mais como, mas através dessa tinta as áreas com displasia ficariam bem visíveis.


Mesmo pagando tudo particular, tive que esperar 10 dias pra colonoscopia acontecer.


No tempo esperando a colonoscopia, a agente da imigração que estava com nosso processo de residência, mandou um e-mail direcionado a mim, perguntando: Luana, ao pesquisar seu nome, descobri que você utilizou os hospitais da Nova Zelândia com muita frequência nos últimos meses. O que você tem? É uma doença grave? Contagiosa? Etc, etc...


Meu mundo que já estava quase desabado, caiu mais ainda. Pensei: já era a nossa residência!


Everton pediu pra eu me acalmar e pensarmos com calma em como responder pra ela.


Chorei muito, me revoltei, orei a Deus. E então no outro dia pela manhã eu disse ao Everton: Eu vou responder pra essa mulher contando toda a verdade, não vou mentir em nada, se eu mentir, Deus não vai estar do meu lado, vou falar a verdade e deixar Deus no controle. Everton disse: Isso mesmo amor, assim vai ser. Respondi a ela contando a verdade, e disse que eu estava no Brasil procurando os médicos para resolver meu problema de saúde, e que só retornaria a NZ, depois de tudo resolvido. Ela me disse que ia deixar nossa aplicação "estacionada" esperando eu entrar em contato novamente. 


No domingo eu iniciei a dieta da colonoscopia, e na segunda-feira (segundo dia da dieta, onde se toma apenas líquidos) tinha culto no Desafio Vida Jovem de Içara, e o Everton disse: amor, você está muito fraca, acho melhor ficarmos em casa. Eu disse: não, ainda que eu tenha que passar o culto inteiro sentada, nós vamos sim. E fomos.


Não me lembro a que altura do culto, o pastor chamou a frente pra oração de cura, e nós fomos a frente. Ele mandou colocar a mão na enfermidade. Eu coloquei as mãos na minha barriga. E olhei pro lado e vi Everton fazendo o mesmo, e pensei rapidamente: mas o que ele tem na barriga?


Enquanto o pastor orava, eu orei a Deus dizendo: Senhor, eu não vou te pedir para ser curada, porque eu sei que eu já fui. O Senhor já me mostrou através daquele sonho, que me curou. Mas eu sei que a cura às vezes não é imediata, às vezes ela vem através de um processo e pode demorar um pouquinho. Então eu venho te pedir através dessa oração, que se possível for, e que se for da Sua vontade, mostre a minha cura amanhã nesse exame. Eu abro mão do meu livre arbítrio para que a Sua vontade seja feita, mas se possível for, mostra amanhã a minha cura e acaba com essa angústia.


Depois do culto, perguntei ao Everton, e ele me disse que colocou a mão na barriga dele, para que eu fosse curada, porque nós somos uma só carne.


No dia seguinte fui pra colonoscopia, levei pro médico os meus exames e também as imagens e vídeos das colonoscopias que eu tinha feito aqui na NZ. Pra minha sorte, o médico tinha inglês fluente :)


Acordei da anestesia, numa sala onde Davi e Everton estavam do meu lado, esperando eu acordar. Uma enfermeira entrou com uma xícara de chá e 2 bolachas água e sal. Eu pensei: Senhor amado, 3 dias sem comer e ela me traz só 2 bolachas? Ela disse que logo o médico viria conversar comigo. Quando ela saiu Davi olhou pra mim e disse: mamãe, você me dá uma bolacha? hehehe


Dei uma pra ele e comi apenas uma.


O médico entrou na sala e já foi dizendo: Luana, eu não estou entendendo o que está acontecendo, nada do que vi nos seus exames da Nova Zelândia eu encontrei no seu intestino. 


Eu e Everton olhamos um pro outro e sorrimos, um sorriso realmente feliz em meses.


O médico continuou dizendo: Eu vou na sala do meu colega e vamos rever tudo novamente e eu volto aqui.


Ele voltou dizendo, é realmente não estou entendendo o que aconteceu, mas não encontrei mais nada no seu intestino.


E eu tive a comprovação da minha cura, pra honra e glória do nome do Senhor Jesus.


Voltamos para a Nova Zelândia em 21 de janeiro de 2014, e trouxe meus exames e mandei traduzir e enviei pra agente da imigração. No dia 18 de fevereiro de 2014, menos de 1 mês depois da nossa volta, recebemos a nossa residência aprovada :)


Toda honra e toda glória a Deus!