quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Um dia atribulado

Na última segunda, recebi um telefonema do hospital de Invercagill, onde a atendente me disse que alguém tinha cancelado uma consulta e ela estava me oferecendo o horário. No caso a consulta era pro Davi, e pro dia seguinte as 11:30. Eu aceitei.

Convidei minha amiga Lidiana para ir conosco e ela também aceitou. Combinei de pegar ela em casa as 8 da manhã. Planejei almoçarmos após a consulta, irmos em algum parque e coisas do tipo.

Na terça, acordei cansada e um pouco desanimada, sem motivo aparente. Mandei msg pra Lidiana dizendo que eu iria um pouco mais tarde, afinal são 2 horas e 15 minutos de Queenstown a Invercagill. Passei na casa dela as 8:30, e seguimos viagem. Tínhamos 3 horas para chegar lá, super de boa.

No caminho encontramos ovelhas na estrada, e levamos cerca de 20 minutos para ultrapassar todas elas e seguir em frente.


Ufa! Passamos por elas e seguimos viagem. Poucos minutos depois, Davi começou a vomitar. Não vomitou muito e a Lidi atendeu ele, e limpou a roupinha dele, até que eu achasse um lugar seguro na estrada para parar. Parei e troquei a roupinha dele. Assim que chegamos em uma cidadezinha (não me recordo o nome) parei no bar para comprar um refrigerante e sorvete (é bom para enjôo). O bar estava fechado.

Seguimos, e então parei na cidadezinha seguinte e comprei o refri e o sorvete. E levei Davi para fazer xixi.

Continuamos viagem e Davi disse que queria fazer cocô. (Ele tinha acabado de ir no banheiro para fazer xixi) Eu: meu amor agora não tem lugar nenhum pra vc fazer cocô, vc precisa esperar. Passaram-se alguns minutos e ele começou a chorar dizendo que queria fazer cocô. Pensei que ele pudesse estar com diarréia e acelerei um pouco mais até a próxima cidadezinha. 

Nessa hora eu já estava com a pressão do tempo na minha cabeça, pois já tínhamos parado muitas vezes, e claro, preocupada com o Davi. A única coisa que eu sabia é que não iria aumentar a velocidade e dirigir perigosamente, colocando nossas vidas em risco por causa de uma consulta.

Parei, e levei Davi no banheiro. 

Novamente seguimos viagem. E eu disse: Lidi, vou colocar louvores pra gente escutar. Pois o dia estava um pouco atribulado. Começamos a cantar e louvar, e isso tava sendo muito bom. Foi então que Davi começou a vomitar muito. Eu pedi pra Lidi atender ele, até eu poder parar o carro. 
É uma sensação muito ruim, você ver seu filho passando mal, e não poder parar o carro por estar no meio da estrada, sem acostamento.

Parei o carro numa cidadezinha chamada Dipton, ao lado de um canteiro com árvorezinhas, e corri pra Davi. Ele tinha vomitado muito, as roupas, o car seat, o carro. Eu pensei: Deus o que está acontecendo, ele nunca enjoou em viagem nenhuma. Já viajamos com ele em jejum e também após comer e ele nunca vomitou. Sempre foi de boa. Enquanto eu tirava a roupa suja dele, eu pensava em tudo ao mesmo tempo: atraso pra consulta, como colocar ele com a última roupa extra limpa sentado no car seat vomitado. Tirei a roupa dele e vi que o corpinho dele tava todo sujo de vômito. Então eu disse: Lidi, segura ele aqui que eu vou ver se tem banheiro por aqui, pra eu molhar a toalha e limpar ele.
Subi no murinho do canteiro e espiei do outro lado e não vi banheiro nenhum. E desci do murinho de costas, minha sandália foi pro lado e e eu senti uma dor horrível. Automaticamente eu cai no chão, sem entender o que estava acontecendo e então eu vi que eu tinha pisado com tudo nessa garrafa quebrada:

Olhei pro meu pé e tava jorrando sangue. A Lidi veio ver o meu pé e correu pegar uma toalha. Olhei pro Davi, ele pelado do lado do carro com cara de assustado. Eu peguei a toalha e botei no pé e pedi pra Lidi ficar com o Davi. Os carros passando, e eu disse: Lidi, por favor nao larga ele. O nervosismo nessa hora já tava grande. A toalha tava ensopando de sangue. Ela tava super nervosa também, e fez sinal pra um carro parar. Uma mulher veio e perguntou o que estava acontecendo e quando eu tirei a toalha pra mostrar o meu pé pra ela, eu vi umas carnes saindo pra fora e eu comecei: Meu Deus, meu Deus, meu Deus. E eu pensei: Senhor, por favor, só não me deixa desmaiar. Pedi pra Lidi colocar roupa no Davi e colocar ele sentado dentro do carro. Enquanto isso a mulher ligou pra emergência, e a Lidi disse que ia ligar pro Everton. A mulher ficou me fazendo perguntas, e por isso eu não escutei o que a Lidi tava falando com o Everton. E por isso, quando ela passou o celular pra mim, eu achei que ela já tinha contado tudo a ele, e eu comecei a dizer pra ele: 
-Amor, tá saindo muito sangue. 
Ele: o que foi? 
Eu: foi uma garrafa quebrada.
E a ligação caiu. Olhei o celular tava sem sinal.

Ela não tinha contado nada pra ele, quando ele atendeu, ela já passou pra mim. E então ele ficou apavorado, supondo que eu fui desviar o carro de uma garrafa e tínhamos sofrido um acidente.

A mulher me disse que a ambulância estava vindo, e que ela tinha que ir, pois também tinha um compromisso.

Nessa hora, eu me vi sentada no meio do nada. Não tinha nem uma alma viva naquele lugar. Meu pé daquele jeito. Celular sem sinal. Preocupada com o Davi. Preocupada com o Everton, pois nessa hora a Lidi já tinha me contado que não tinha explicado pra ele o que aconteceu. E a consulta? Ah com certeza não chegaria mais a tempo. E nem tinha como avisar. Era tanta dor. Estávamos a 40 minutos de Invercagill, então eu pensei: ok, acho que falta uns 30 minutos pra ambulância chegar, vou ficar pedindo ajuda pra Deus.

Nisso, Davi já estava ótimo. Não vomitou mais e nao reclamou de nada sobre enjoô e mal-estar. Pedi pra Lidi tirar a chave do carro pra não ter perigo de ele mexer. A Lidi conseguiu sinal no celular dela e então ligou pro Everton. Ele já estava vindo. Davi começou a se pendurar na janela do carro. Então pedi pra Lidi pegar ele e trazer pra mim. Ele sentou do meu lado e ficou ali quietinho comigo. 

Finalmente a ambulância chegou. Mostrei a ela a garrafa, e ela pegou a mesma e jogou no meio das árvorezinhas. E eu disse: 
-Vc precisa tirar isso dali, alguém mais vai se machucar.
Ela: Preciso que vc me conte o que aconteceu.
Eu: Mas vc vai tirar a garrafa dali?
Ela: não se preocupe com a garrafa, me conte o que aconteceu.

Gente como assim né? Como essa pessoa é socorrista?

Resumindo: Me levaram pro Medical Centre de Winton, cidade mais próxima. Eu deitada na maca, e Davi super de boa conversando com a socorrista. (Graças a Deus, né? Já pensou eu naquela situação e Davi passando mal ainda?) Me deram paracetamol e tramadol pra dor.

Fiquei lá esperando o médico me atender. A enfermeira pegou meus dados e preencheu um formulário do ACC. Então ela me perguntou: Vc mora a direita ou a esquerda da Glenda Drive?
Eu pensei: An? Será que eu to delirando por causa da dor? Quê importância tem que lado da rua eu moro?

Respondi: a esquerda!
Ela: Ah, legal, eu tenho uma amiga que mora a direita.
Eu dei um sorriso sem graça pra ela, e ela saiu. 
A Lidi me disse: Acho que ela está tentando te distrair da dor.

Ela foi lá pra frente com o Davi esperar o Everton.

O médico chegou, e pegou uma pinça e começou a mexer no ferimento, e com um jatinho lavar. Ele me disse que não iria dar pontos, porque a anestesia não iria pegar direito, e disse: Se vc quiser eu faço sem anestesia, mas vc vai ir nas estrelas e voltar de tanta dor. Então acho melhor eu colocar cola. Vou ter que cortar essas carnes que estão pra fora e colar. 

Quando ele começou a cortar as carnes, sem anestesia, eu já fui nas estrelas. E comecei a me sentir mal e vi que eu ia desmaiar. Então eu disse:
-I'm going to faint.
Ele: What?
Eu: I'm fainting.
Ele: Are you fighting? Against the pain?
Eu comecei a ficar apavorada e dizer: Nooo, fainting, faint, fainted, fâint, fáint, faínt, feint... (ou seja, todas as pronúncias possíveis) 
E ele me olhando com cara de que não tava entendendo nenhuma delas.

Já tava tudo escuro, e eu pensei: pronto, vou desmaiar aqui sozinha e esse cara acha que eu to fazendo esse fiasco todo pra lutar contra a dor. 

(Agora parece engraçado, mas eu me vi realmente em apuros)

Everton finalmente chegou bem nessa hora, e eu disse: amorrrr, fala pra esse cara que eu to desmaiando. 
O médico olhou pra ele e disse: Eu não sei porque ela está desse jeito, não pode ser tanta dor assim, parece que tá tendo um parto.

(Sem comentários né?)

Em português mesmo eu disse pra ele: Esse fiasco todo não é pela dor, é pra te fazer entender que eu ia desmaiar. 

Ele não entendeu nada, mas pelo menos eu desabafei.

Everton me abraçou e ficou me confortando até ele terminar tudo.

Me deram a vacina anti-tetânica, antibiótico e remédio pra dor. Amanhã (sexta) eu vou voltar no médico.

A enfermeira me disse que a vacina é feita de 5 em 5 anos. E estranhou porque eu não fiz durante a gravidez. Pois o certo é fazer. Paguei $30 por ela.

Por enquanto estou assim...

Bom gente, mesmo com esse dia atribulado, eu pude aprender varias coisas. A primeira delas, que eu agradeço muito a Deus, é porque fui eu que pisei naquela garrafa e não o Davi, e nem a Lidi. Agradeço a Deus porque não foi um acidente envolvendo o carro e nós três. Aprendi que a gente faz planos, mas quem dá a permissão pra que eles aconteçam é Deus. Agradeço a Deus, pelo livramento e pelo propósito com tudo isso. Eu não sei ainda o que era. Mas parecia que realmente não era pra seguirmos viagem. Após tantas paradas, teve uma que foi definitiva para não irmos em frente. Talvez Deus nos livrou de encontrar um motorista bêbado no caminho, ou um turista, daqueles que dirige na mão contrária. Aquele horário de consulta que alguém tinha desmarcado, eu peguei a vez e também não comparecemos. Bom, seja qual foi o propósito de Deus com tudo isso, eu agradeço a Ele que não foi pior. Daqui a pouco meu pé tá bom de novo :)

"O que eu faço não entendes agora, mas entenderás depois." João 13.7

Hoje (sexta, 20/02) na consulta de retorno a médica me deu 2 muletas =| e me mandou voltar na terça...



9 comentários:

  1. Uau! Que situação! O médico era kiwi Luana?
    Melhoras!!! Nada é por acaso! Beijos

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    1. Eu não perguntei Carla, mas pela fisionomia não era não. Obrigada, beijos.

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  2. Nossa Luana que Situaçao, mas você tem ração Deus livra a gente de coisas piores... E ele deixou tão claro isso que seu filho passou mal varias vezes e você nao voltava, bastou você parar, se machucar e ficar incapaz de seguir em frente, para ele parar de passar mal, incrível, né; Deus é maravilhoso ...

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  3. Ola Luana tudo bem? Espero que esteja melhor : )))
    Gostaria de umas dicas de escolas de cursos tecnicos e ingles mais baratas ....tipo para nos brasileiros....pesquisei varias na internet mas tudo muito caro!! Meu email e :sjcampos16@gmail.com adoraria se voce pudesse entrar em contato comigo por email pois possuo muitas duvidas e nada melhor do que tirar duvidas com quem ja mora em New Zealand nao e? abracos e melhoras, Solange :)))

    ResponderExcluir
  4. Ola Luana, tudo bem? Espero que ja esteja melhor!!! Gostaria de saber se voce pode me dar umas dicas de cursos tecnicos em nova zelandia mais acessiveis para nos brasileiros....pesquisei na internet porem tudo e muito caro!!! Gostaria de tirar outra duvidas com voce ...nada melhir do que alguem que ja esta em New Zealand nao e? meu email e : sjcampos16@gmail.com . obrigada!!! Abracos e melhoras!!! Solange :)))

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  7. Ola Luana tudo bem? Espero que ja esteja melhor :)) Gostaria de saber se voce sabe de alguma escola que oferece cursos tecnicos com precos acessiveis . Procurei ja na internet porem nao achei nada barato, porem como experiencia propria de haver vivido em ja em outro pais sei que existem escolas ou instituicoes que sao mais baratas e mais para estrangeiros.....voce sabe alguma para me indicar? meu email e sjcampos16@gmail.com
    Obrigada!!!!

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