domingo, 8 de fevereiro de 2015

Como eu caminhei na Nova Zelândia

parte 1 e Parte 2

 Continuando então... Pedi a ela mais um dia e ela aceitou. Depois que ela aceitou, uma multidão de pensamentos invadiu a minha cabeça, tudo passou diante dos meus olhos. E ela estava ali ainda e não parava de falar. E eu nao conseguia me concentrar no que ela falava e só pedia a Deus: Senhor, leva essa mulher pra dentro de casa. Ela foi e então eu contei ao Everton sobre a visão e resolvemos orar naquela noite. 

Nós estavamos bem magros, um tanto fracos, desgastados emocionalmente, e tudo que nos restava era a nossa fé. Fiz a janta, arrumei a cozinha, fiz os cafés e fomos pro nosso galpãozinho.

Ligamos nossos 3 vídeos de louvor: Jackson e Talita - A rocha é Deus, Sete vezes mais e Restaura-me. E fomos orar. Everton de um lado e eu de outro. Inicialmente eu me ajoelhei e comecei a chorar e não conseguia falar nada, quando eu tentava falar, minhas lágrimas invadiam a minha boca. Então eu chorei na presença do Senhor por algum tempo, me prostei chorando muito, até que fui me silenciando, e me deitei no chão e fiquei naquele silêncio. Podia perceber o Everton orando ao lado, mas não conseguia escutar. Tudo a minha volta estava desabando, mas eu estava sentindo a presença de Deus muito forte naquele silêncio, e isso me fazia forte, me trazia conforto. Então me ajoelhei novamente e comecei a orar. Eu comecei a bater no meu peito e dizer chorando: Tá aqui Senhor, tá aqui no meu coração todas as Suas promessas, tudo que o Senhor me prometeu eu guardei aqui. Eu sai da minha terra, da minha parentela, e to aqui na terra que me mostraste. Então eu não sei porque essa mulher tá dizendo que a gente tem que ir embora. Porque não foi homem que nos fez promessa, mas foi Tu ó Deus. Não posso contar toda a minha oração aqui, pois nós ficamos até as 5 da manhã orando. Eu orei, citei as palavras do Senhor, louvei, rasguei meu coração pra Deus. Eu fui ficando fraca e cansada e me deitei no chão novamente e fiquei só escutando o louvor. Foi quando eu vi um céu estrelado a minha frente e surgiu nele o mapa mundi, e uma mão enorme pegou eu e o Everton no Brasil e colocou em cima da Nova Zelândia. Muito rapidamente eu levantei do chão e fiquei de joelhos novamente e comecei a glorificar ao Senhor. E somente agradecer a Ele por tudo, até pelas lutas que nos fizeram amadurecer e enobrecer.

Dormimos por volta de 5 da manhã, e quando foi 7:40 a Maria bateu na nossa porta, com batidas muito fortes, e acordamos assustados, abri a porta pra ela, e ela disse: Deu certo Karina, o cara de Middlemarch ligou dizendo que deu a vaga pra vc e vai aplicar o seu visto, e então Everton pode aplicar visto de partner. Everton pulou da cama e nos abraçamos e nem tenho palavras para descrever o que sentimos naquele momento. Dai o primo dela veio e disse: Mas eu marquei uma entrevista pra eles em Queenstown hoje, e mesmo assim vou levá-los lá para cumprirmos esse compromisso. Os neozelandeses são super sérios para cumprir compromissos e nunca se atrasam.




Ele nos trouxe até Queenstown, e viemos de boa, agora nosso sorriso já era diferente, e não saía do nosso rosto :) A vaga aqui em Queenstown era pra kitchenhand (ajudante de cozinha) em Walter Peak Farm (uma fazenda que fica do outro lado do lago, e tem que atravessar de barco). O cara fez a entrevista com a gente, e o que a gente entendia a gente respondia, o que não entendia, respondíamos sim e não aleatoriamente, hehe. Pra nossa enorme surpresa, ao final da entrevista ele disse que estávamos contratados e que iria aplicar visto pra gente :) E nessa mesma hora Deus falou comigo e eu contei ao Everton: Amor, Deus me disse que vai aparecer ainda um terceiro emprego. 

A Maria e o primo conversaram com uma amiga deles que trabalhava não sei aonde, mas era algo do governo, e ela disse que era melhor aplicar o visto pra vaga aqui de Queenstown, pois aqui o visto era pra nós dois. Aqui em Queenstown mesmo já aplicamos os vistos, pois faltavam 2 dias pro visto que tínhamos, vencer. O primo pagou nossos exames: raio-x, teste de drogas, HIV, etc e após tudo certo com os exames ele pagou a aplicação dos nossos vistos. Deu $880. Prometemos a ele que iriamos começar a trabalhar e começar a pagar ele.

A colheita de damasco iria começar e a Maria perguntou se a gente queria trabalhar com ela nessa colheita até nossos vistos serem aprovados, dai dissemos que sim. E ela disse que o dono da fazenda iria pagar pra ela, e ela repassaria o dinheiro para nós. Gente, quem merece? Os damascos crescem todos juntinhos no galho, como jabuticabas, e nós tínhamos que arrancar alguns para que os outros que ficassem, tivessem espaço para crescer. Quando nos contaram isso, pensamos: nossa, super de boa, o pruning da uva era bem pior. Gente, pensa tu ficar com os braços levantados o dia inteiro catando damasco??? Trabalhamos assim por 2 semanas. No fim do dia nao dá nem de mexer o braço. A primeira semana de trabalho ela nos pagou, e usamos esse dinheiro para comprar roupas de cama pra ir pra fazenda em Queenstown, trabalhar no restaurante. E o resto guardamos pro que fosse preciso. A segunda semana ela disse que o cara não tinha pago ainda e ia nos mandar depois. 

Um dia estavamos no carro com eles, e o celular da Maria tocou. Percebemos que ela falava sobre a gente. Era a terceira oferta de trabalho :) Em uma fazenda leiteira. Até tenho uma parte muito engraçada para contar agora. A Maria me pediu para digitar nossos currículos pra mandarmos para fazendas. Mesmo em inglês eu sabia me virar no computador, então anexei os currículos e escrevi o texto do e-mail, antes de enviar eu pedi a Maria que viesse conferir o meu inglês. Ela chegou atrás de mim no pc, e começou a rir, chamou o primo e ele começou a rir também. Eu perguntei o que estava acontecendo, e ela chamou também o marido e ele começou a rir. Eu fiquei pensando que ela chamaria até  os vizinhos. Então pessoal, eu escrevi o e-mail como se fosse o Everton e com a intenção de escrever: Olá fulano, estou mandando meu currículo e o da minha esposa pra vc. Mas com meu péssimo inglês, botei assim: Olá fulano, estou mandando meu currículo e a minha esposa pra vc. Hahaha... Por favor nao riam dessa parte ;)

Um dia eles pediram pro Everton subir no telhado e arrumar umas telhas. Bem no início, o pé-de-cabra que ele estava usando escapou e atravessou a boca dele e quebrou um pedaço do dente da frente, aquele bem da frente mesmo. Saiu muito sangue, a boca começou a inchar demais, e deram apenas panadol pra ele, e ele ficou o dia inteiro em cima do telhado trabalhando no sol, desse jeito. Nesse dia eu não consegui disfarçar, eles notaram que eu estava muito brava. Everton me disse: amor, são só mais alguns dias e estaremos livres.

Ficamos na casa (galpãozinho) da Maria por exatos 40 dias. Quando conversamos com ela em Blenheim, com o Erick traduzindo, ela disse: venham pra minha casa e não precisam pagar nada, com ou sem vcs, nós teremos que pagar aluguel mesmo, e a comida que minha família comer, vcs comem também. Mas mesmo assim a gente limpava tudo, fazia tudo, eles estavam em verdadeiras férias. E nós fizemos tudo para ser uma forma de pagamento. Então no dia de sair e vir pra Queenstown, eu perguntei... (Sabe aquele momento que vc se arrepende de ter abrido a boca?) Eu perguntei: quanto nós devemos a vcs?

Maria: 2 mil dólares! 
(Eu fiquei completamente paralisada)
Maria: mil dólares para o primo e mil dólares para mim.

Everton estava levando as malas pro carro, e eu não sabia como contar isso a ele. Fui lá e pela minha cara ele já perguntou: o que aconteceu? Contei a ele e ficamos perplexos, sem saber o que fazer. Para o primo achamos justo, pois ele gastou $880 e mais a gasolina para nos levar lá. Mas e pra ela? Não era tudo de graça? Conversamos e eu voltei lá e disse a ela que iríamos trabalhar e pagar eles.

E se vcs acham que as lutas acabaram por aqui, estão enganados. A partir desse dia começamos a caminhar sozinhos, mas ainda tivemos muita luta pela frente, com a Maria e com outro vilão que cruzou o nosso caminho.

Mas essa parte eu conto na quarta e última parte dessa história, de como vencemos na Nova Zelândia :)

Parte final clique aqui para ler








11 comentários:

  1. Você e o Everton merecem um troféu de paciência e de fé. E essa mulher, meu Deus. Estavam como escravos na casa dela, assim dizendo, pq cuidavam e limpavam tudo, e ainda cobrou mil reais de vocês, chocada !

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    1. Mil dólares amiga, naquela época dava uns 1.500 reais.

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  2. Nossa vcs nao deviam pagar e sim entrar em acordo,ja que vc trabalhava na casa...

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  3. To aqui na expectativa e já te inclui no meu blog... heheheheh :*

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  4. Nossa que história! Estava pesquisando sobre as empresas que levam o nome do Marcelo e gracas a Deus encontrei seu blog e outros posts sobre como foram enganados. Quase arrisquei pagar a taxa para ele, eu iria ficar perdida. Espero um dia morar e trabalhar no exterior, o Brasil esta cercado de corrupção, insegurança, entre outros. Felicidades para vc e sua familia. Continue postando seus testemunhos desse Deus tremendo! Sua história me emocionou. Bj

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    1. Obrigada pelo carinho e que bom que vc nao caiu na do Marcelo.
      Muitas bencaos de Deus pra vc
      bjus

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